A Imprensa brasileira mais me envergonha do que me orgulha…

17 12 2009

Modern Warfare 2 sempre causou um alvoroço, por N motivos, falta de servers dedicados, problemas políticos e sociais, e isso não é de hoje, o game trás nada menos que a cena mais violenta da série inteira, e com isso críticos caindo de boca com tudo na mala do jogo, e com razão, sinceramente certas coisas deveriam ser omitidas, como a fase “No Russian”, mas atentemos aos que me deixa mais abismado, o nosso país o Brasil.

http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1414817-6174,00-JOGO+PASSA+A+PIOR+IMAGEM+POSSIVEL+DO+RIO+DIZ+DELEGADA+SOBRE+CALL+OF+DUTY.html

O link acima direciona para uma notícia do portal G1, da Globo, um portal de notícia com uma certa tradição, querendo ou não, uns dizem manipulador e outros desmentem, teorias conspiratórias à parte, centremo-nos no assunto chave, novamente o perigote da IW, MW2!

A começar o portal começa errando feio o nome do jogo, o citando como Call of Duty 2, o jogo é o SEXTO da série, você pode se referir a ele como Call of Duty 6, mas 2 é foda. O Segundo jogo da série retrata diversas ofensivas, defensivas, campanhas em geral dos exércitos americano, russo e inglês no avanço cronológico da segunda guerra mundial, uma grande diferença do que nos trás Modern Warfare, uma guerra fictícia nos tempos atuais, ou em um futuro próximo.

O jogo trás  a continuação direta do quarto game da franquia, depois da morte de Imran Zekhaev, o ultra-nacionalista russo que era terminantemente contra o capitalismo e queria ressucitar a união soviética por meio de uma guerra, subjugando os países que descordassem de sua causa, com um discurso patriótico, porém insano. Após isso, temos o sumiço do Capitão Price e a criação de uma torça tarefa mundial formada pelos melhores soldados do mundo, a Task Force 141, ao mesmo tempo um novo grupo de ultra-nacionalistas surge no solo “soviético”, liderados por um homem, próximo ao finado Zekhaev, Vladmir Makarov; este promove uma carnificina num aeroporto russo e culpa um agente da TF141, infiltrado no seu grupo de extermínio pelo ocorrido, ocasionando assim uma guerra entre Rússia e os países capitalistas principais, em foco os EUA.

Com este contexto em mente, a análise das balas usadas no massacre russo, indica que as mesmas foram produzidas no Brasil, levando assim, a tropa de elite de “guerreiros” à cidade maravilhosa, buscando informações de um tal Alejandro Rojas, que se encontra em uma das favelas da zona sul do Rio de Janeiro. Ao entrar na favela atrás do homem, os soldados são confundidos com policiais, e por seu aparato de guerra, como fuzís de grosso calibre, granadas táticas e de fragmentação, sem falar na armadura que os mesmos carregam, os “bandidos” atacam com tudo o que têm e com o que não têm; acreditando que são soldados estrangeiros contratados pelos policiais para fazerem o seu “trabalho sujo”.

A idéia do jogo, desde o seu início é neutralizar os inimigos e proteger os civís, logo no início da fase o jogador é advertido da existência de civis na favela e orientados a NÃO ATIRAR NOS MESMOS, como o mesmo deve ter feito na missão de teste/treinamento do jogo. Na favela os mesmo aparecem no início, entretanto, após um primeiro momento desaparecem quase que completamente da mecâncica do jogo, pelo combate se intensificar. Acredito que a IW usou um bocado de imaginação prevendo locais onde os atiradores brasileiros ficariam nos telhados e becos, e o que o jogador teria de fazer para avançar no nível.

A delegada afirma uma falta de diplomacia, mas se esquece que o mundo no jogo encontra-se em guerra quase que total, e que a tendência é piorar, e os soldados  não têm tempo a perder, quando um tiro é disparado contra você, seu instinto é no mínimo revidar e dar um jeito de sair de lá. Na favela há vida, eu sei, no entanto eles chegam a satirizar o poder paralelo, algo que nós não podemos mais controlar. Por diversas vezes este “poder paralelo”, aqui no Rio, mostra-se mais eficaz do que o governo, nos levando a pensar se são mesmo os malfeitores da história. Quantas pessoas que, por um motivo ou outro, acabam vendo por fim e única saída o “reino” do crime? Eu cansei de ser assaltado no RJ, cansei de perder celulares e não ser reembolsado. Onde estava o policial naqueles momentos? Onde as suas viaturas estavam, Sra. Delegada, nesses momentos? Que atitudes foram prestadas a mim? Um B.O.? Estou com uma pequena coleção deles, dentre eles o de um carro que foi roubado, me forçando a comprar outro! Às vezes, nós moradores do RJ pensamos que a única saída seria mesmo uma guerra para eliminar o tal poder paralelo… O que é triste, terrível e não deveria SEQUER passar por nossa cabeça.

Não sei, não sei mesmo quem tem a culpa nisso tudo, nem faço idéia de como resolver um problema desses com ou sem derramamento de sangue mas, as coisas estão num ponto que já não temos mais para onde olhar e nos reconfortar, se nem mesmo em nossos lares estamos seguros e os direitos humanos somente os então chamados bandidos possuem.

É triste que um jogo de computador seja mais importante que o social, e ainda mais com uma matéria tão distorcida que nos deixa até pensando que os vídeogames são a pior coisa que se tem notícia. Parece que o brasileiro gosta mesmo de implicar e proibir do que de entender e agir, mudança na segurança, só isso que queremos, e é o que menos temos.


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